domingo, 24 de janeiro de 2010

Aumento de temperatura em Brasília, DF

Nos últimos 10 anos, a temperatura média no Distrito Federal subiu 0,8º e mínima aumentou 1º

Pode até parecer, mas não é pouco

Daniel Brito e Juliana Boechat, Correio Braziliense

Expansão urbana, aumento no número de carros e desmatamento para construção de vias maiores. Nada disso passa incólume no meio ambiente. A natureza começa a cobrar a conta dos brasilienses. A vingança vem quente e seca. Ela está no ar, seja de dia ou à noite. É o calor. A cada década, a temperatura só aumenta no Distrito Federal. Os últimos 10 anos foram os mais abafados da capital — aproximadamente 1ºC mais quentes em relação à média histórica registrada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) (1), desde quando se instalou no Planalto Central, em 1961.

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De 2000 a 2009, a média ficou na casa dos 21,4ºC, o que representa um aumento de 0,8ºC em relação ao que se media historicamente (2) na cidade. A estatística fica arredondada quando se verifica a média mínima. Até 1999, as menores temperaturas giravam em torno de 16,1º C. De 2000 a 2009, ficaram em 17,1º C, em média. Os números foram levantados do meteorologista Francisco de Assis Diniz. Um grau pode até parecer insignificante, mas, segundo o especialista, já é sinal de alerta. “Qualquer aumento da temperatura média provoca mais situações extremas, como secas e tempestades”, afirma Assis Diniz.

Foi nos últimos 10 anos que os termômetros candangos chegaram às mais altas temperaturas. O dia mais quente da história ainda está fresco na memória dos brasilienses, principalmente dos mais calorentos. Foi em 28 de outubro de 2008, quando o DF enfrentou uma seca severa, de 123 dias, e o Inmet registrou 35,8ºC — algo inédito. Superara até os 34,5ºC de 12 de outubro de 1963, o antigo recorde. A estiagem de 47 anos atrás, contudo, continua insuperável. Foram quase seis meses sem um mísero pingo d’água do céu, somando, ao todo, 164 dias.

O sol também esteve implacável em 2007. Num ranking (veja quadro abaixo) com as cinco maiores temperaturas já verificadas, três ocorreram naquele ano, todas na casa dos 34ºC, quase empatando com a marca de 1963. O recorde da década de 1960 foi uma exceção. Um caso excepcional, provocado por uma grande massa de ar quente que se instalou sobre o Planalto Central.

Naquela época, a paisagem de Brasília era muito mais poeira e descampado do que os prédios e os carros dos dias atuais.


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Produtos de risco ou risco no consumo: informando o consumidor

Por Helio Mattar*

Em artigo anterior, comentei que o consumidor precisa de informações sobre os impactos ambientais e sociais de seu consumo para que possa exercer escolhas conscientes de consumo. Há outro ponto igualmente importante ao qual as empresas deveriam dar mais atenção: a comunicação do risco envolvido na compra, uso ou descarte de seus produtos.

Se consumidos de forma incorreta ou exagerada, muitos produtos podem, por exemplo, provocar danos à saúde. Alguns são bem conhecidos e debatidos na mídia, como é o caso do açúcar ou de alimentos com alto teor de gordura. Menos comentado é o caso dos veículos motorizados, visto que causam impactos na saúde das pessoas de forma indireta, por via da poluição. A poluição prejudica principalmente crianças e idosos e agrava doenças cardiovasculares e respiratórias. Além disso, a queima dos combustíveis usados pelos veículos é uma das principais fontes de emissão de dióxido de carbono, o principal gás de efeito estufa, cujo aumento na atmosfera tem levado ao aquecimento global e às mudanças climáticas.

Tais impactos sobre a saúde e o meio ambiente raramente são considerados por alguém que pensa em comprar um automóvel ou em dirigi-lo pelas ruas. E muito pouca informação é oferecida pelas fábricas e concessionárias de vendas de veículos a respeito desses impactos, como mostra uma pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). De acordo com a pesquisa, nenhuma das onze fábricas instaladas no Brasil informa sobre a emissão de poluentes, a emissão de gases de efeito estufa e a eficiência energética dos automóveis que vendem.

Além de ser uma obrigação ética, comunicar os riscos e os possíveis danos provocados pelos produtos será, a meu ver, uma questão de sobrevivência para as empresas do século XXI. Ao informar de forma transparente sobre os riscos no consumo de seus produtos, as empresas estarão se diferenciando frente aos concorrentes e estarão reduzindo os riscos futuros de condenações relativas ao impacto individual e coletivo do uso de seus produtos.

Em tempos de transparência e visibilidade, já não cabem comportamentos como foi o da indústria do tabaco durante o século passado, quando os executivos dessas empresas negavam publicamente as informações de danos à saúde associados ao uso de seu produto, além de promoverem o marketing e a publicidade ligando o cigarro a esportes, música, vida saudável e modernidade.

O começo do fim dessa prática foi firmado em 1998 entre sete indústrias de tabaco e o governo americano, prevendo o pagamento de indenizações estimadas em U$ 206 bilhões e o fim das práticas de marketing e publicidade, com a obrigatoriedade de divulgação das informações sobre os males do fumo. Tamanho prejuízo financeiro, entretanto, é pequeno se comparado ao tamanho do fardo moral que essa indústria carrega, mesmo que tenha mudado sua postura e buscado de maneira mais ativa alertar para os perigos do consumo de seu produto.

No caso do cigarro, dada a dependência química que causa, o risco do consumo é inerente ao produto. Já em diversos outros produtos – alimentos, bebidas, automóveis, eletroeletrônicos etc – o risco não está embutido no produto, mas ocorrerá caso o consumidor não use as informações disponíveis para garantir o menor impacto negativo possível, sobre si próprio e sobre a coletividade, quando da escolha do produto, no seu uso e na sua forma de descartá-lo.

Deixar de comunicar sobre os riscos de um produto poderá ter custos cada vez maior para as empresas, seja um custo reputacional, seja um custo financeiro por problemas de responsabilização judicial.

É possível que, a partir da disponibilidade de informações, os consumidores rejeitem ou mudem a forma de consumir alguns produtos. Em vez de olhar esse fato como uma ameaça, as empresas deveriam percebê-lo como uma sinalização da direção a seguir: por exemplo, desenvolver produtos menos danosos à saúde das pessoas e ao ambiente, como sucos de fruta com menos açúcar, ou carros que gastam menos combustível e emitem menos poluentes, ou então, dar publicidade aos produtos de maneira a não levar ao seu consumo exagerado. 

A transparência é um fato, não uma escolha. Nesse sentido, dar transparência é antecipar algo que ocorrerá irremediavelmente. Melhor fazer da transparência um aliado, do que esperar inutilmente que os efeitos negativos da compra, uso ou descarte de produtos ou serviços não ocorram por obra de um consumidor que desenvolve sua própria consciência de maneira desinformada. Tomar a dianteira, revelando o que será revelado de qualquer forma, possibilita ganhar em reputação muito mais do que eventualmente poderá ser perdido por não ter informado a tempo sobre os riscos no consumo. Sem informação, muitos produtos são de risco, e, com ela, o risco não é intrínseco ao produto, mas ao seu consumo, pois o consumidor estará informado sobre como deveria agir, na compra, uso e descarte do produto, para seu próprio bem e de sua coletividade.

* Helio Mattar é diretor-presidente do Instituto Akatu. Artigo publicado originalmente no Jornal Meio & Mensagem. Seções

© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída. 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Embalagens para comer

Pesquisadores brasileiros desenvolvem películas comestíveis que prometem conservar frescos e proteger os alimentos da ação de microrganismos por mais tempo.

Por Sofia Moutinho, Ciência Hoje On-Line.

Responda rápido: você comeria a embalagem de sua comida? Essa pergunta lhe parece absurda? Pois saiba que cientistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) concentram-se justamente na produção de embalagens comestíveis que prometem conservar frescos por mais tempo alimentos como frutas, verduras e queijos. A tecnologia, que ainda está em fase de testes e não chegou ao mercado, é uma alternativa ecológica às embalagens de plástico sintético.

Produzidas em forma de filmes, essas embalagens comestíveis são uma espécie de plástico natural que, quando aplicado sobre a superfície dos alimentos, retarda a perda de água e as trocas gasosas entre o alimento e o ambiente, dobrando o tempo de vida do produto. Em Fortaleza (CE), pesquisadores da Embrapa Agroindústria Tropical, em parceria com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), desenvolvem filmes feitos com purês de frutas para aplicação nesse tipo de alimento. Esses materiais são quase transparentes e podem ter sabor e aroma idênticos ao da fruta com que são feitos.

Já em São Carlos (SP), pesquisadores da Embrapa Instrumentação Agropecuária desenvolvem filmes à base de proteínas do milho – chamadas zeínas – e quitosana, polissacarídeo extraído da casca dos crustáceos que, além de prolongar a vida do alimento, tem ação antibacteriana e fungicida. “Não existe um filme universal; para cada alimento é preciso desenvolver um filme diferente, que seja adequado a sua fisiologia”, explica o físico Odílio Garrido de Assis, pesquisador da Embrapa que atualmente trabalha com o filme de quitosana para aplicação em maçãs fatiadas.

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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009


gifs fofas




quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Mudanças climáticas: Compromissos ou metas?

Por Dal Marcondes, da Envolverde

O Brasil assumiu compromissos com a redução das emissões de carbono até 2020. Algo entre 31% e 38% do que emitiria se nenhuma medida de redução fosse tomada. Este é o piso estabelecido pelo governo, não deve ser tomado como teto pela sociedade.

Nos últimos dois anos, em especial desde o início deste ano, o governo brasileiro tem sido pressionado por organizações da sociedade civil e pela oposição política a estabelecer suas metas para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Os estudos do governo e de ONGs como Imazon, Greenpeace e outras mostram que os grande vilões do aquecimento global no Brasil são: desmatamento e agronegócio. Estes dois vetores de emissões, muitas vezes, andam juntos.

Os compromissos que o governo brasileiro aceitou levar para Copenhague são apenas um piso na redução de emissões, não devem e não podem ser vistos como um teto. Ou seja, a sociedade brasileira pode e deve fazer mais do que isso. Não há nenhum motivo pelo qual o Brasil não possa assumir uma vanguarda a partir de suas empresas e de decisões de governos estaduais e municipais. O governo federal tem de negociar com muitos setores, aplacar a birra de uma bancada ruralista egocentrada e mediar as vontades de setores ambientalistas e desenvolvimentistas dentro do próprio aparelho do Estado. É compreensível que o resultado seja conservador. Mas precisamos lembrar que este é (e lutou-se muito para isto) um País livre e cada um pode estabelecer suas próprias metas e compromissos.

Existem mais atores trabalhando pela redução da emissão de gases de efeito estufa além do governo. É o governo federal que levará as metas brasileiras á COP 15, em Copenhague. A equipe de negociadores brasileiros vai enfrentar posições duras de governos como Estados Unidos e China, que ainda não se posicionaram claramente em relação às suas próprias metas e compromissos. O jogo em uma COP é pesado e os governos estão lá para defender soberania, pois uma vez assinados os compromissos, perdem o poder de decisão sobre o tema. Por isso não se espera nenhum resultado, ou algo parecido com um “Protocolo de Copenhague”, antes de março ou abril de 2010, quando o Congresso norte-americano terá aprovado ou recusado as metas que os Estados Unidos irão propor para sua própria sociedade e economia.

No entanto, lá estarão presentes outros importantes protagonistas que representam outras vontades, algumas mais avançadas. Para além das reuniões de governos, a COP é um cenário multicultural, onde ONGs, empresas e governos locais discutem suas próprias agendas, com acordos, metas e compromissos próprios. No caso brasileiro algumas representações merecem destaque, porque tem efetiva capacidade de pressão sobre as negociações principais, e porque tem o poder de tomar decisões setoriais que podem reposicionar o Brasil como liderança em questões climáticas. Estarão em Copenhague representações empresariais, onde vale destacar o Instituto Ethos e o posicionamento marcante de seu presidente Ricardo Young, representações de governos locais, a Prefeitura de Manaus, através do secretário do Meio Ambiente e Sustentabilidade, Marcelo Dutra, que estará representando as cidades da América Latina e Caribe, a convite da própria ONU, e a Força tarefa de Governadores da Amazônia, que terá como representante seu secretário executivo, Virgílio Viana.

Estes três grupos estão se articulando há meses para levar posições caras para Copenhague. O Instituto Ethos, juntamente com o Fórum Amazônia Sustentável, que reúne ONGs e empresas para debaterem políticas públicos sobre a Amazônia, lançou a “Carta Aberta ao Brasil sobre Mudanças Climáticas”, uma iniciativa tão inovadora que foi citada pelo Secretário Geral da ONU, Ban Ki-Moon, como exemplo de participação da sociedade nos processos de construção de uma economia de baixo carbono. A Prefeitura de Manaus realizou em outubro a “Cúpula Amazônica sobre Mudanças Climáticas”, onde prefeitos de toda a Amazônia brasileira e de países vizinhos assinaram a “Carta de Manaus”, que defende a criação de mecanismos que valorizem as iniciativas locais em prol da preservação e dos uso sustentável da floresta. Por fim, a Força Tarefa de Governadores da Amazônia, que lançou no final de outubro o “Relatório I – Força Tarefa sobre REDD e Mudanças Climáticas”. Segundo o governador do Amazonas, Eduardo Braga, as negociações são nacionais, mas são os governos locais que tem a capacidade de transformar as metas em realidade. “No Amazonas estamos desenvolvendo mecanismos de REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) inovadores, em parceria com empresas privadas”, explica. Em Copenhague a Força Tarefa estará representada pelo diretor geral da Fundação Amazonas Sustentável, Virgilio Viana, que é um dos mais vigorosos defensores de iniciativas de REDD.

Mais além destas representações, organizações não governamentais e empresas estão trabalhando para manter altas as expectativas e conseguir que o mundo aceite uma redução mais drástica das emissões globais de gases estufa. No entanto, é importante compreender que qualquer que seja o resultado em Copenhague, é apenas um fator de balizamento para as sociedades de todos os países. Nenhuma meta precisa ser vista como “teto” para as emissões globais e nada impede que governos locais e empresas assumam compromissos mais abrangentes. Já há exemplos de avanços além do exigido pelas leis e acordos internacionais. Um exemplo a ser destacado é o estado da Califórnia, nos Estados Unidos, governado pelo republicano Arnold Schwarzenegger, que assumiu compromissos de redução de emissões muito mais audaciosos do que o governo Bush, além de liderar um movimento de governadores locais para avançar nas mudanças por uma economia de baixo carbono.

Em uma série de palestras, entrevistas e em seu mais recente livro lançado no Brasil, “A Terceira Margem”, o economista Ignacy Sachs vem defendendo que o Brasil é dos países mais bem preparados para mudar o eixo de sua economia em direção a uma “economia da biomassa”. Ele acredita que o País detém conhecimentos e capitais que permitem olhar para os recursos naturais de forma inovadora, com a exploração sustentável de matérias primas agroflorestais e sem a necessidade de destruir biomas, mas sim com o manejo inteligente de insumos da biodiversidade. “Além disso o Brasil tem sorte, com os recursos do petróleo pré-sal pode investir grandes volumes de capitais para ser o primeiro país do mundo a ter uma economia pujante e com baixas emissões de carbono”, diz Sachs.

O importante para se refletir é o quanto desta nova economia estaria nas mãos do Estado e o quanto estaria nas mãos de governos locais e de empresas. Os empreendimentos necessários para a transformação desta economia estão muito mais no eixo da iniciativa privada do que do Estado. É importante o apoio e a regulamentação das ações, mas quem vai produzir biocombustíveis e desenvolver tecnologias hoje são empresas, universidades, centros de pesquisas e ONGs. O papel do Estado é importante, mas não limita a expansão do papel de outros setores. Recentemente o governo do estado de São Paulo anunciou metas mais abrangentes do que as do Governo Federal para a redução de emissões. Isto é importante, porque o Estado de São Paulo tem universidades e centros de pesquisa atrelados a ele, o que certamente vai possibilitar mais ações nas áreas de ciência e desenvolvimento tecnológico.

Então, não se deve ficar decepcionado porque o governo não é ambicioso nas reduções de emissões. Uma sociedade comprometida com a construção de uma nova economia, com empresas focadas em melhorar seus negócios e garantir a perenidade de seus recursos e governos locais mobilizados pode fazer muito mais do que seguir metas tímidas. O Brasil seguirá liderando pelo exemplo de sua sociedade e o governo, qualquer que seja, virá a reboque da sociedade, como aconteceu com as políticas de REDD, que até bem pouco tempo eram completamente ignoradas por Brasília, mas que agora representam o “prato de resistência” dos negociadores do Itamaraty em Copenhague.

© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Defenda os animais domésticos no Brasil. - WSPA - Sociedade Mundial de Proteção Animal

Defenda os animais dom�sticos no Brasil. - WSPA - Sociedade Mundial de Prote��o Animal

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